
Terça-feira, Dezembro 04, 2007
Maravilhosa arte humana - Bodhisattva Chinese Dance
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Segunda-feira, Dezembro 03, 2007
Ficar de novo pequenina - Celia Piovesan
Ficar de novo pequenina
Olhando as crianças brincando
Comecei a pensar
Talvez quando eu era criança
Adulta eu queria ficar...
E mil lembranças
Voltam em minha mente
De quando eu era pequenina
Uma criança somente.....
Muitas recordações...
Dias felizes....as emoções
E ate das tristezas
Que um dia tive....
Sera mesmo que aproveitei?
Sera que eu valorizei?
A grandeza......a alegria..
Aquela vivencia em plena "folia"?
Sera que o adulto eu analisei?
Sera que eu acreditei?
Que tudo seria melhor quando eu crescesse?
E adulta eu fiquei!!!!!
E hoje quero confessar
Que a infância me fascina...
E que eu daria tudo....
Pra ficar de novo pequenina!
Celia Piovesan
Quinta-feira, Novembro 29, 2007
VOU FICANDO
Que me foste roubando amores
Ai alma minha insensata
Que de ti brotam lágrimas e não flores
Que me foste roubando amigos
Deixando dor desmedida
Impondo-me estes castigos
Nesta saudade que sinto,
Dos amores e dos amigos, que tu me foste levando
Em silêncio vou rezando
Que Deus me leve o que sinto...
Antonio Henrique
Segunda-feira, Novembro 12, 2007
O Vampiro
(Charles Baudelaire)
Tu que, como uma punhalada,
Em meu coração penetraste,
Tu que, qual furiosa manada
De demônios, ardente, ousaste,
De meu espírito humilhado,
Fazer teu leito e possessão
- Infame à qual estou atado
Como o galé ao seu grilhão,
Como ao baralho o jogador,
Como à carniça ao parasita,
Como à garrafa ao bebedor
- Maldita sejas tu, maldita!
Supliquei ao gládio veloz
Que a liberdade me alcançasse,
E ao veneno, pérfido algoz,
Que a covardia me amparasse.
Ai de mim! Com mofa e desdém,
Ambos me disseram então:
"Digno não és de que ninguém
Jamais te arranque a escravidão,
Imbecil! - se de teu retiro
Te libertássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!
Terça-feira, Dezembro 27, 2005
Receita de Ano Novo
(Carlos Drumond de Andrade)
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido

(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa
expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Sábado, Julho 30, 2005
Quinta-feira, Julho 28, 2005
Procuro...
Que além de ser humano, seja gente.
Que antes de ser adulto, seja criança.
Que tendo vontade de chorar, chore e ria...
Que traga alegria e fé para minha alma
E lutando ao meu lado seja um leão...
Mas que seja vibração e loucura me amando.
Que tenha um sorriso acolhedor...
De olhos úmidos de emoção...
De lábios amorosos e quentes...
Que nunca simulem afeição...
Mas que sejam firmes na defesa de suas vontades.
É imprescindível que saiba dançar;
Que goste do mar, que dance na chuva e cante mansinho.
Precisa-se muito deste ser humano especial e único.
Porque será sempre meu !
Que sempre será livre para podermos voar juntos.
Será belo, porque o verei com os olhos do espírito.
Que será sempre rico, pois dele serão os tesouros do meu amor...
Sábado, Julho 23, 2005
drummond
se sabia
p r o i b i d o p a s s e a r s e n t i m e n t o s
ternos ou desesperados
nesse museu do pardo indiferente
me diga: mas por que
amar sofrer talvez como se morre
de varíola voluntária vágula evidente?
e se queimou
todo por dentro por fora nos cantos ecos
lúgubres de você mesm(o,a)
irm(ã,o) retrato espetáculo por que amou?
ou era por
como se entretanto todavia
toda via mas toda vida
é indignação do achado e aguda espotejação
da carne do conhecimento, ora veja
amig(o,a) me releve
este malestar
cantarino escarninho piedoso
este querer consolar sem muita convicção
o que é inconsolável de ofício
a morte é esconsolável consolatrix consoadíssima
a vida também
tudo também
mas o amor car(o,a) colega este não consola nunca de nuncarás.
Quinta-feira, Julho 21, 2005

A NOITE DISSOLVE OS HOMENS
A noite desceu. Que noite!
J� n�o enxergo meus irm�os.
E nem tampouco os rumores
Que outrora me perturbavam
A noite desceu. Nas casas,
Nas ruas onde se combate,
Nos campos desfalecidos,
A noite espalhou o medo
E a total incompreens�o.
A noite caiu. Tremenda,
Sem esperan�a... Os suspiros
Acusam a presen�a negra
Que paralisa os guerreiros.
E o amor n�o abre caminho
Na noite. A noite � mortal,
Completa, sem retic�ncias,
A noite dissolve os homens,
Diz que � in�til sofrer,
A noite dissolve as p�trias,
Apagou os almirantes
Cintilantes nas ruas fardas.
A noite anoiteceu tudo...
O mundo n�o tem rem�dio...
Os suicidas tinham raz�o.
Quarta-feira, Julho 20, 2005

Hino Nacional
Precisamos descobrir o Brasil!
Escondido atr�s das florestas,
com a �gua dos rios no meio,
O Brasil est� dormindo, coitado.
Precisamos colonizar o Brasil.
O que faremos importando francesas
muito louras, de pele macia,
alem�s gordas, russas nost�lgicas para
gar�onettes dos restaurantes noturnos.
E vir�o s�rias fidel�ssimas.
N�o conv�m desprezar as japonesas...,
Precisamos educar o Brasil.
Compraremos professores e livros,
assimilaremos finas culturas,
abriremos dancings e subvencionaremos as elites.
Cada brasileiro ter� sua casa
com fog�o e aquecedor el�tricos, piscina,
sal�o para confer�ncias cient�ficas.
E cuidaremos do Estado T�cnico.
Precisamos louvar o Brasil.
N�o � s� um pa�s sem igual.
Nossas revolu��es s�o bem maiores
do que quaisquer outras; nossos erros tamb�m.
E nossas virtudes? A terra das sublimes paix�es...
os Amazonas inenarr�veis... os incr�veis J�ao-Pessoas...
Precisamos adorar o Brasil!
Se bem que seja dif�cil caber tanto oceano e tanta solid�o
no pobre cora��o j� cheio de compromissos...
se bem que seja dif�cil compreender o que querem esses homens,
por que motivo eles se ajuntaram e qual a raz�o de seus sofrimentos.
Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
T�o majestoso, t�o sem limites, t�o despropositado,
ele quer repousar de nossos terr�veis carinhos.
O Brasil n�o nos quer! Est� farto de n�s!
Nosso Brasil � no outro mundo. Este n�o � o Brasil.
Nenhum BRasil existe. E acaso existir�o os brasileiros?
1934, Brejo das almas (Poemas). Belo Horizonte, Os Amigos do Livro
Quinta-feira, Julho 14, 2005
Quarta-feira, Junho 29, 2005

Can��o Amiga
drummond
Eu preparo uma can��o
em que minha m�e se reconhe�a,
todas as m�es se reconhe�am,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos pa�ses.
Se n�o me v�em, eu vejo
e sa�do velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um s� diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma can��o
que fa�a acordar os homens
e adormecer as crian�as.
Terça-feira, Junho 28, 2005
DRUMMOND
No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.Nunca esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Segunda-feira, Junho 27, 2005

AL�M DA TERRA AL�M DO C�U
drummond
Al�m da Terra, al�m do C�u,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magn�lia das nebulosas.
Al�m, muito al�m do sistema solar,
at� onde alcan�am o pensamento e o cora��o,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gram�ticas
e do medo e da moeda e da pol�tica,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
raz�o de ser e de viver.
Sábado, Junho 25, 2005

CARTA
drummond
H� muito tempo, sim, n�o te escrevo.
Ficaram velhas todas as not�cias.
Eu mesmo envelheci. Olha, em relevo,
estes sinais em mim, n�o das car�cias
( t�o leves ) que fazias no meu rosto:
s�o golpes, s�o espinhos, s�o lembran�as
da vida a teu caminho, que ao sol-posto
perde a sabedoria das crian�as.
A falta que me fazes n�o � tanto
� hora de dormir, quando dizias:
Deus te aben�oe", e a noite abria em sonho.
� quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que n�o sonho.



